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Case da Semana: Excelsior

Case da Semana: Excelsior
Entrevistado: Pôncio Filho – Sócio Diretor
Por Janaina Pereira
 
Pôncio Filho sempre foi um empreendedor. Trabalhou na área de construção civil, foi proprietário de um restaurante e hoje é sócio de uma empresa de factoring, a Excelsior. “Como construtor, meu prazer era financiar uma parte da casa própria para o comprador, mas como não tinha capital o suficiente para bancar casas em alta escala busquei algo no setor participativo financeiro, e ai o factoring caiu como uma luva”, conta.
 
O começo, no entanto, não foi fácil. “Confesso que no início foram diversos desafios pelo meu desconhecimento setorial. Em minha trajetória formei-me em filosofia e depois em economia, e a primeira faculdade, por incrível que pareça, foi o marco principal para a atividade do fomento mercantil, pois é um ledo engano quando alguns colegas afirmam que o nosso segmento é apenas ciências exatas, pois tenho uma convicção autêntica que factoring é “humanas”, devido a complexidade das empresas num País que enfrenta uma elevada carga tributária e a escassez de uma educação qualitativa.”
 
O empresário está a frente da Excelsior há 11 anos, e hoje conta com uma equipe de seis funcionários, além de Pôncio e seu sócio. Todos trabalham no operacional do dia-a-dia. “No começo eu mesmo trabalhava de segunda a segunda, hoje me dou ao luxo de procurar me desligar aos domingos. Sempre dei minha vida pela nossa empresa, e brinco em dizer que ‘se existe um céu lá tem o factoring’”, filosofa.
 
Os serviços da Excelsior estão focados somente na Compra de Recebíveis Convencional (cheques e duplicatas) na modalidade contratual Pro Solvendo (o conhecido direito de regresso). Sobre a aprovação da Lei do Factoring ele é favorável, mas faz ressalvas. “Se aprovada do jeito que está existem os prós e contras. Eu tive o prazer de ler como matéria de estudo o Substitutivo proposto pelo presidente da ABFAC o Dr. Antonio Carlos Donini, no qual me parece ser coerente com as propostas, dentre elas a principal é o Fomento a Matéria-Prima que faltou na lei – é uma forma de antecipação de recursos não financeiros, uma função social extrema para sobrevivência das micro e pequenas empresas, e sempre foi praticado no mercado brasileiro, outro equivoco elencado foi a Prestação de Serviços. Se a lei for aprovada as fomentadoras deverão se cadastrar junto aos Conselhos Regionais de administração, tendo ainda de contratar administradores e só poderão comprar recebíveis de clientes que contratarem algum tipo
de serviço. Essa Lei deveria ajudar-nos e não deixar nossas empresas mais onerosas.”
 
Pôncio comenta que o setor já foi mais promissor na década passada em termos de lucratividade, porém, a ampliação massiva dos grandes bancos, dos fundos fidcs e fatores macroeconômicos influenciaram e trouxeram muitas mudanças. “Um fator que me compete afirmar aqui é o advindo das plataformas dos Cartões de Plástico que tomaram muito o mercado da Antecipação dos Cheques, é onde alguns Comerciantes tem a falsa impressão de segurança na venda, mas quando feito o cálculo comparativo
da inadimplência anual dos cheques (média no máximo 3% a.a.) versus Cartões logo vê-se a diferença esmagadora. Dias atrás, por curiosidade, fiz uma análise numa pizzaria que sou sócio, e, mensurando essas taxas (taxa sobre a transação + mensalidade do p.o.s. + juros quando antecipado), fiquei pasmo em encontrar 12,63%. Percebe-se que o custo é muito maior do que trabalhar com cheques, sem falar que o cheque quando raramente é sem fundo ainda é um ativo que pode ser recuperado por várias
possibilidades, diferentemente do Cartão que uma vez cobrado as taxas e mensalidades não voltam mais. Mas ainda tem muito mercado numa terra de oportunidades chamada Brasil constituída extremamente por empreendedores onde o setor de crédito beira
apenas 30%.”
 
Para quem quer entrar no factoring Pôncio Filho dá a dica: “posicione-se ao lado de quem já está no mercado, eu costumo dizer: ‘factoring não é brincadeira, você tem que dormir, acordar, tomar café e almoçar com alguns clientes senão eles te jantam’”.

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